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Criação de ações
Quando um grupo de investidores resolvem montar uma empresa eles têm que decidir o valor do capital social da firma. Este é o valor inicial que eles vão investir. Eles também têm que estabelecer o número de ações em que este valor será dividido. Quer dizer: cada ação representa uma parte do capital social da firma. O número de ações recebido por cada investidor - ou acionista - depende do valor que ele investiu. Se o capital social inicial da empresa é R$1.000.000 e é estabelecido que cada ação terá um valor inicial de R$1, um acionista que investe R$100.000 receberá 100.000 ações.
Dividendos
Vamos imaginar que, no primeiro ano, a empresa tenha lucro e
os acionistas aceitem a proposta da diretoria de reinvestir 75% do total deste lucro na
firma. O saldo de 25% (não pode pagar menos que 25%, após certas deduções), então,
seria distribuido aos acionistas. O valor distribuido se chama dividendo. Se um acionista
possue 10% das ações da firma, ele recebe 10% do dividendo. O pagamento do dividendo
pode ocorrer uma vez por ano ou até mensalmente.
Note que se, no primeiro ano de operação, a firma tiver prejuízo, difícilmente um
dividendo seria pago. Não é sempre assim: se a firma tiver prejuízo após vários anos
de lucro, provavelmente seria pago um dividendo usando lucros reinvestidos anteriormente.
Venda de ações existentes
O que acontece se um de nossos acionistas quiser vender sua
participação na empresa? Ele pode vender suas ações para um outro investidor mas
provavelmente ele terá dificuldade em encontrar um interessado. E se achar, seria
difícil para as duas partes chegarem a um preço comum para a transação.
A bolsa ajuda superar estes problemas. Após satisfazer certas condições, a empresa pode
se registrar numa bolsa de valores (como a Bolsa de São Paulo) e ter suas ações
"quotadas" publicamente. Isso significa que o acionista que desejar vender suas
ações pode anunciar para todo mundo, através da bolsa (usando uma corretora), a
quantidade de ações que deseja vender e o preço pretendido. De maneira semelhante uma
pessoa que quer comprar ações da firma pode anunciar a quantidade de ações que deseja
comprar e o preço que pagará. Com várias compradores e vendedores potenciais em
atividade alguns logo chegarão a um acordo sobre preço e negócios serão fechados.
Durante o dia as ofertas de compra e venda, e os preços pagos, são expostos num quadro
na bolsa (e em telas de computador no país inteiro). E no dia seguinte um resumo das
operações é publicado pela bolsa e pelos jornais. Tipicamente este resumo contem, para
cada ação (ou "papel"), o preço no início e no fim do pregão (preço de
abertura e de fechamento), os preços máximo, mínimo e médio, e a variação com
relação ao dia anterior. Também contem a quantidade de ações negociadas e
possívelmente o número de transações individuais.
Assim vemos a primeira vantagem da bolsa: é um mercado onde investidores, sob condições
normais, podem comprar e vender ações com facilidade e transparência.
Venda de novas ações
O grande vantagem da bolsa, no entanto, é a oportunidade
que ela oferece para nossa empresa de obter dinheiro novo para investir, atráves da venda
de novas ações.
Uma vez "listada" (registrada) em bolsa a firma será estudada por analistas e
investidores. Se eles acharem que seu potencial para produzir lucro for bom, eles
recomendarão a compra de suas ações. Na medida que as ações atrairem compradores seus
preços tenderão a subir. Isso beneficiará a empresa quando decidir vender novas
ações: o preço da venda da subscrição é normalmente estabelecido a partir do preço
da ação negociada em bolsa (geralmente é um pouco menor). Quanto mais alto o preço da
nova ação, mais barato será o custo do capital obtido. Ações novas não são vendidas
no pregão mas normalmente podem ser encomendadas ao banco encarregado da venda através
da bolsa por uma corretora. Ou podem ser compradas diretamente ao banco pelo interessado.
É claro que, se os analistas acharem que as perspectivas da firma são ruins, o preço de
sua ação provavelmente cairá.
Uma fonte alternativa de capital
Se o reinvestimento de lucro for insuficiente para financiar
os investimentos pretendidos, a empresa tem outras opções para obter capital, além da
emissão de novas ações. Pode pedir um empréstimo no banco ou pode vender bônus.
Bônus (debentures, por exemplo) são títulos subscritos por investidores, através de
corretoras, de maneira parecida com ações. Além de companhias e bancos, governos
também emitem bônus. Diferente de ações, os bônus pagam juros sobre o valor
emprestado e após um período predefinido de, tipicamente, 1 a 5 anos, o valor original
emprestado é devolvido para o investidor.
Frequentemente os bônus também podem ser comprados e vendidos após sua emissão. Mas
mesmo que o valor de um bônus varie durante sua vida, como resultado destas transações,
sempre terá seu valor original no seu vencimento.
Diferença fundamental entre capital obtido em forma de ações e bônus
Para uma empresa, há uma diferença fundamental entre capital levantado em forma de ações e em forma de bônus. Primeiro, enquanto a firma pode reduzir os dividendos pagos aos acionistas num ano em que o lucro for pequeno, não pode reduzir os juros pagos aos detentores dos bônus. Em contrapartida, enquanto a posse de ações dá ao investidor uma participação direta nos lucros da firma, e certos poderes sobre sua administração (um voto na assembléia geral, por exemplo, no caso de ações ordinárias), os direitos dos debenturistas se restringem ao valor emprestado e os juros incidindo sobre o mesmo. Segundo: se o preço da ação da empresa for alto, provavelmente custaria menos levantar novo capital através da venda de ações, especialmente se o nível de juros na economia for também alto; e se o preço da ação da empresa for baixo, seria mais interessante emitir debentures, especialmente se os juros estão baixos. Se uma empresa tem muito capital em forma de bônus (sobre o qual é obrigada a pagar juros fixos), é considerada muito "alavancada" por causa do maior risco que ela corre de passar por dificuldades financeiras.
Normalmente uma empresa cria dois tipos de ações:
ordinárias e preferencias. O número de preferenciais não pode ultrapassar 2/3 do
número total de ações. Algumas empresas, no entanto, só têm ações ordinárias.
As açoes ordinárias dão a seus detentores o direito de votar na assembléia geral onde,
entre outras coisas, se elegem o Conselho Administraivo da companhia (é o Conselho que
elege os diretores). As açoes preferenciais só têm direito a voto em situações muito
restritas. Em contrapartida, se definido no estatuto da empresa, podem ter direito de
(entre outras coisas) receber um dividendo mínimo ou fixo, como porcentage do lucro ou do
capital social. Se não tiverem nenhum destes direitos são garantidas dividendos 10%
maiores que os dividendos pagos às ordinárias.
1) Se puder precisar de seu capital nos próximos 5 anos, não o invista em ações.
2) Se nao utilizar a técnica certa é possível que nem em 10 anos vá ter retorno.
3) Se não for capaz de ver seu investimento cair em 50% sem se desesperar, também não invista em ações.
4) Se não puder investir R$10.000 ao longo de um ano (em ações e renda fixa), por enquanto aplique seu capital, meio a meio, em um fundo de renda fixa (ou poupança) e um fundo de ações que reflita a composição do índice Bovespa.
1) Tudo tem risco. Com a técnica certa, que para um investidor defensivo não é difícil de aprender, a chance de perder com uma carteira de investimentos, corretamente montada, que é mantida durante, vamos dizer, 5 anos, é pequena.
2) Históricamente, em mercados desenvolvidos, investimento em ações tem oferecido um retorno significativamente maior - e maior proteção contra inflação - que investimento em renda fixa.
Porque você está interessado no mundo de empresas e ações e tem uma chance muito boa de conseguir melhor resultado que o fundo médio.
1) Enquanto qualquer noviço consegue um rendimento igual ao mercado (representado, por exemplo, pelo índice Bovespa), a maioria dos fundos de ações não tem sido capaz deste feito. (Para não sermos injustos devemos reconhecer que se a grande parte do mercado fosse composta de fundos, uma metade deles teria, obrigatoriamente, resultados abaixo da média.)
2) Como a primeira observação deixa claro, nem os especialistas conseguem fazer previsões precisas: o futuro, realmente, a Deus pertence.
3) Uma combinação de renda fixa e ações produz um mixtura ideal de rentabilidade e baixo risco. A menor volatilidade da renda fixa (sim, o valor, em certas aplicações pode cair!) compensa em parte a alta volatilidade da bolsa porque juros altos tendem a coexistir com ações em baixa, e vice versa. E enquanto ações oferecem uma certa proteção contra inflação, esta praga pode reduzir o rendimento real da renda fixa.
4) A longo prazo, o desempenho de ações - se compradas a preços históricos médios - acompanha o desempenho dos lucros das empresas. Quer dizer: um investimento em ações é um investimento no setor produtivo da economia. Se, como esperamos, a economia do Brasil, a partir do novo milênio, voltar a crescer com vigor, as empresas e suas ações vão se beneficiar.
5) Exceto em situações muito especiais, rigorosamente ninguém sabe o verdadeiro valor (ou valor "justo") de uma ação. Teoricamente é o valor hoje de todos as receitas a serem embolsadas durante a vida da companhia pelo detentor do papel. Mas ninguém sabe nem o valor aproximado destas receitas porque depende da evolução de uma multiplicidade de variáveis. Na verdade o valor justo da ação terá uma ampla faixa de possíveis valores. Pior, o efeito é alavancado: uma pequena variação em determinadas variáveis produz uma grande variação na estimativa do valor justo da ação. É por isso que há grande volatilidade nos preços das ações. É também a razão porque se encontra com freqüencia ações supervalorizas ou subvalorizadas.
Dois mundos de investimento em ações
Há dois mundos de investimento em ações e um abismo entre eles. O primeiro é habitado por figuras excitantes e exóticas: growth companies (empresas de crescimento acelerado), turnarounds (empresas que passam de quase-falência para lucro), cíclicas (empresas cujas vendas e lucros seguem um ciclo), asset plays (empresas que têm ativos valiosos mas poucos sabem disso), etc. O segundo tem entes sem cor e meio chatos: margem de segurança, diversificação, longo prazo, risco.
O primeiro mundo é o mundo do profissional (que não, por isso, necessariamente faz successo - pode ganhar bem administrando mal o dinheiro dos outros) que dedica 10 horas por dia a ele. Podemos também ser profissionais mas para isso temos que nos dedicar a este mundo em tempo integral. O segundo mundo é o mundo do amador inteligente que se interessa pelo mercado de ações. Aqui uma pessoa pode obter um rendimento bom ao longo dos anos dedicando, vamos dizer, o máximo de uma noite por quinzena ao assunto. Este amador, utilizando técnicas simples, não terá muito dificuldade em ultrapassar a performance da média dos fundos.
É claro que muitos não resistirão as emoções do dia a dia do mercado. Tudo bem, mas estes devem se conscientizar do risco envolvido e só aplicar uma parte pequena de seus recursos totais em operações mais especulativas.
Benjamin Graham
O pensamento do Benjamin Graham, um dos fundadores da análise moderna de valores mobiliários (e pai das técnicas de investimento em valor ou "value investment") permeia toda nossa abordagem. Nos casos da Carteira Defensiva e da Carteira Agressiva (suspensa) a ligação é direta: só modificamos suas estratégias quando a situação no Brasil ou limitações de dados assim exigem. Vamos relembrar as lições mais importantes do mestre de investimento em valor para o pequeno investidor:
1. Para se garantir contra condições economicas e financeiras adversas no futuro, divida seu capital entre ações e renda fixa da primeira linha: quando a bolsa se comportar mal a renda fixa, em geral, tem bom desempenho e vice versa.
2. Para minimizar o risco de perda, diversifique-o entre um mínimum de 10 grandes empresas com boa posição financeira e bom comportamento passado.
3. Para maximizar a possibilidade de lucro, assegure uma boa e quantificável margem de segurança entre o preço da ação e o valor da ação.
4. No caso do investidor defensivo, se ele comprar suas ações a preços compatíveis com seus médias históricas, sua margem de segurança será garantida pela taxa normal de crescimento de suas empresas que, no longo prazo, se refletirá nos preços de suas ações.
5. Para assegurar que o preço médio de suas compras não divirja muito dos preços médios históricos do mercado é necessário fazer compras espaçadas de valores íguais. Por exemplo: se planejar investir R$5.000 em ações anualmente (que supôe um valor igual aplicado em renda fixa), invista R$1.250 na mesma data a cada trimestre (ou R$2.500 a cada semestre). Idealmente, este procedimento seria mantido durante pelo menos 5 anos.
6. O investidor agressivo pode tentar aumentar sua margem de segurança, e em consequência seus ganhos, através de uma estratégia de investir em empresas aparentemente subvalorizadas.